trilogia festiva

A trilogia dá continuidade à investigação de uma linguagem e uma metodologia estruturadas sobre o que convencionamos chamar de ética da festividade na criação cênica.(Este é também o título da tese defendida em março de 2010 pela diretora Patrícia Fagundes em doutorado realizado na Universidade Carlos III de Madri – bolsa CAPES). Uma ética do encontro e da diversidade, que celebra o corpóreo, o prazer e o próximo, aceitando o caos e a turbulência como parte de uma existência complexa e multidimensional. Desde tal perspectiva, ética e estética não são forças opostas, e sim indissociáveis. Todo procedimento e poética artística nasce de um conjunto de opções que implica uma relação particular com o mundo e com o outro.

O teatro parece oferecer um espaço propício para a experiência do próximo, criando microterritórios de sociabilidade que acontecem em, com e entre os corpos de seus habitantes nômades, com a potencialidade de carnavalização do mundo, provocando situações de desequilíbrio que podem conduzir a novas organizações. Teatro como experiência, como dispositivo de conexões, como máquina que provoca e administra encontros. É importante observar que a noção de festividade reconhece a dolorosa dificuldade de conviver com o outro, de negociar com a diferença e com a sombra: não se trata aqui de uma tentativa de evasão, e sim do desafio de celebrar o prazer na relação com o mundo e com o outro, a capacidade de dançar no caos. Entendemos o prazer como um vetor de resistência que cria linhas de fuga; a festa como uma forma de negociar com a morte e reinventar o mundo. Assim, nada mais natural que a proposta de uma Trilogia Festiva se aventurasse em zonas obscuras como  o fracasso, a morte e o caos.

A trilogia propõe a montagem de Clube do Fracasso Natalicio Cavalo e Caóticas. Todos partem de um roteiro aberto desenvolvido em sala de ensaio, promovendo a criação de nova dramaturgia através de uma metodologia colaborativa. Uma dramaturgia para nosso tempo, que se faz da composição de fragmentos, relatos, sensações, experiências partilhadas e também de conceitos e referências teóricas, evocando a necessidade constante do exercício de uma razão sensível. Além da apresentação de espetáculos, o projeto promove oficinas, ensaios-abertos, debates com diferentes públicos, intercâmbios de idéias e práticas de criação, no exercício constante de convivência, contágio e circulação de desejos que a experiência artística possibilita.

Clube do Fracasso abriu suas portas em 2010; Natalicio Cavalo estreia em março de 2013, com financimento Prêmio Funarte Myriam Muniz.

www.nataliciocavalo.wordpress.com

www.clubedofracasso.wordpress.com

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